2ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE BALÍSTICA

CBC faz 2ª conferência de balística, com novos produtos, equipamentos não letais e clínicas de tiro

Evento em Ribeirão Pires reúne mais de 170 inscritos, em sua maioria policiais especializados

A CBC reuniu especialistas em balística de todo o Brasil para o evento. Na foto, clínica de tiro do novo 5,56 Bonded da CBC, com o policial Doc Maniglia (TGT)
A CBC reuniu especialistas em balística de todo o Brasil para o evento. Na foto, clínica de tiro do novo 5,56 Bonded da CBC, com o policial Doc Maniglia (TGT)

A CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) realiza, em sua sede em Ribeirão Pires (SP), desde a última quarta-feira (23), a 2ª Conferência Internacional de Balística, com mais de 170 inscritos, em sua maioria policiais especializados de diversos estados brasileiros.

O encontro reúne palestras técnicas, apresentações de novas munições, demonstrações de instrumentos de menor poder ofensivo e clínicas de tiro. A programação segue até esta sexta-feira, 25 de setembro.

Palestras e visitas à fábrica

Os participantes puderam assistir a palestras de especialistas como Luiz Gaspar, que abordou a análise de precisão em sistemas de armas; o professor João Bosco, com uma apresentação sobre a evolução na tecnologia das munições; e o major Irlan Calaça, que tratou de neurociência e confronto armado, com tópicos além da balística terminal.

Além das apresentações, o evento abriu aos visitantes as instalações industriais e o laboratório balístico da companhia. O público conheceu o processo de fabricação das munições produzidas em Ribeirão Pires e exportadas para todo o mundo — do pequeno .22 LR ao gigante .50 BMG — e acompanhou testes de amostragem nas linhas de tiro.

Nova 5,56 Bonded em avaliação

Uma das novidades demonstradas na conferência de balística foi a munição CBC 5,56×45 mm Bonded, com projétil de 77 grains. A clínica foi conduzida por Sérgio Fabrício Maniglia, conhecido como Doc Maniglia, médico e policial do Grupo TIGRE da Polícia Civil do Paraná. A atividade comparou o novo produto com outras munições do mesmo calibre, incluindo JHP, SS109/M855 de 62 grains, SAT de 62 grains e OTM/HPBT de 77 grains.

A avaliação incluiu precisão, resistência da ponta ao manuseio e comportamento após a transposição de para-brisa automotivo. Segundo os dados expostos no evento, a Bonded registrou penetração de aproximadamente 41,3 centímetros em gelatina balística após atravessar o vidro, dentro da faixa de referência de 12 a 18 polegadas indicada no material.

Outro ensaio apresentado avaliou possíveis alterações de precisão após impactos na ponta exposta do projétil. A dispersão passou de 0,97 para 1,06 MOA, diferença de 0,09 minuto de ângulo que o material classificou como sem perda significativa de precisão. Os resultados se referem às condições específicas dos testes apresentados na conferência.

Desenvolvimento com participação dos operadores

A aproximação entre a engenharia e os profissionais que utilizam as munições foi um dos pontos destacados pelo gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da CBC, Claudio Wietky. Segundo ele, os testes e as avaliações dos operadores ajudam a verificar se o desempenho obtido em laboratório atende às necessidades reais de uso.

Wietky ressaltou que não basta desenvolver um produto com bom resultado no laboratório balístico se, nas palavras dele, “pra vocês em uma operação talvez não performe bem”. O gerente relatou a participação de especialistas na avaliação de produtos e no aperfeiçoamento dos projetos antes das demonstrações na conferência.

A linha de produtos em P&D, a serem lançados no próximo ano (TGT)

A nova 5,56 Bonded é um exemplo dessa interação. Segundo Wietky, o desenvolvimento partiu de uma solicitação feita na edição anterior do evento e consumiu cerca de dois anos de trabalho. O objetivo é preservar a massa do projétil e reduzir seu desvio após a transposição de barreiras, especialmente vidros automotivos.

“Nós tivemos aí mais de 70 projetos entregues nos últimos três anos”, afirmou o gerente. A apresentação concentrou-se em parte desse trabalho, com destaque para os produtos que seriam demonstrados nas clínicas.

Entre eles estão a evolução da linha Bonded para armas curtas, a munição .338 Lapua Magnum e uma versão 5,56 mm JHP de 58 grains, desenvolvida com o objetivo de reduzir a transposição de barreiras e o risco de danos colaterais em ambientes confinados. Wietky também apresentou projetos de munições antidrone, com o desenvolvimento em 7,62 mm em estágio mais avançado.

O gerente abordou ainda a ampliação do uso de simulações computacionais no desenvolvimento. A equipe busca avançar na representação do comportamento dos projéteis em gelatina balística. “Nosso objetivo é conseguir simular a gelatina”, explicou. A ferramenta deve permitir uma avaliação prévia do comportamento do produto, complementando os ensaios físicos.

CSI apresenta instrumentos de menor poder ofensivo

Os instrumentos de menor poder ofensivo também tiveram espaço na conferência de balística da CBC. A americana Combined Systems, Inc. (CSI) demonstrou granadas de luz e som, conhecidas como flashbangs, e a munição de impacto Super-Sock, de calibre 12. A CBC está representando a fabricante no Brasil e passará a distribuir seus produtos, fabricados na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

A Super-Sock é uma munição do tipo bean bag, com projétil constituído por uma bolsa de fibra preenchida com pequenas esferas. Sua apresentação integrou as atividades dedicadas aos instrumentos de menor poder ofensivo, com demonstrações em sala e no estande.