Alta pontuação no FBI Protocol

Nova 9mm Bonded CBC surpreende especialistas; versão para fuzil também é desenvolvida

Projétil feito com eletrodeposição de cobre tira nota alta no protocolo do FBI; CBC fez demonstração durante 2ª Conferência Internacional de Balística, durante clínica de tiro ministrada por João da Cunha Neto

A performance da Bonded 9x19mm 2ª geração apresentada pelo especialista João da Cunha Neto
O policial e mestre em balística, João da Cunha Neto, em apresentação sobre os testes da Bonded 2ª Geração em ensaio contra vidro automotivo laminado, o teste mais difícil do protocolo (Imagem/TGT)

Uma munição de arma curta com elevada constância de desempenho, expansão controlada com alta retenção de massa, boa penetração, mesmo contra vidro automotivo e uma pontuação alta no protocolo do FBI. Foi assim que a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) apresentou a segunda geração de sua munição 9x19mm Bonded, durante a 2ª Conferência Internacional de Balística, realizada na sede da empresa, em Ribeirão Pires (SP).

O THE GUN TRADE marcou presença no evento e testemunhou a demonstração da nova munição a policiais e integrantes de forças de segurança especializados de todo o país. O resultado foi muito positivo e a performance da munição surpreendeu o público.

Os resultados dos testes foram realizados pelo delegado da Polícia Civil de Santa Catarina João da Cunha Neto, especialista em balística aplicada e autor de “Balística para profissionais de Direito”, que apresentou uma clínica dedicada aos fundamentos da balística terminal e sobre a nova munição.

Penetração, expansão e retenção

Para avaliar a nova munição, foi utilizada a Bonded 9x19mm +P 147gr. Há versões com 124g (+P) e 115g (+P+).

Cunha apresentou ensaios em gelatina balística e comparou a Bonded G2 com diferentes projéteis, como a Bonded 1ª Geração, Gold Hex e ProShock. Também foram feitas demonstrações ao vivo para o público presente no evento, quase todos de forças policiais do país.

O parâmetro utilizado como referência foi o protocolo do FBI para armas curtas, que parametriza testes em gelatinas balísticas. Funciona assim: com a gelatina feita nas condições de densidade determinadas pela instituição, a primeira métrica avaliada é a penetração.

Nela, há uma escala, medida em polegadas, que vai de 1 a 20 polegadas. A faixa de penetração considerada adequada pelo protocolo fica entre 12 e 18 polegadas, com os melhores resultados concentrados entre 14 e 16 polegadas.

Depois, há a expansão do projétil, medida com um paquímetro após sua remoção da gelatina. E, por fim, a retenção de massa (quanto ele perdeu de massa no processo —o ideal é que ele mantenha ao menos 80%).

Cada um desses itens possui um peso diferente na avaliação:

  • Penetração, com 70% da pontuação total;
  • Expansão, com 20%;
  • Retenção de massa, com 10%.

“O que vai fazer diferença? O quanto cada um penetrou, o quanto expandiu, o quanto ele reteve de massa. É isso que faz a diferença, não é a energia”, disse Cunha.

Os primeiros ensaios apresentados por Cunha incluíram gelatina nua e tecido pesado. Segundo o especialista, a Bonded apresentou boa penetração, que constantemente resultou em algo próximo a 16,3″ e 16,5″, o que foi demonstrado ao vivo. A retenção de massa ficou em quase 100%.

Mas foi diante do vidro automotivo, considerado por ele o ensaio mais difícil do protocolo, que a nova munição chamou mais atenção.

A Bonded G2 registrou aproximadamente 15,7 polegadas de penetração, 56% de expansão e 100% de retenção de massa após a barreira.

“Isso é próximo do ideal. Dificilmente vai ter algo que consiga passar nesses parâmetros. É um comportamento excelente”, afirma.

Da esquerda para a direita: os projéteis Bonded 2ª Geração (147gr), 1ª geração (147gr), Pro Shock, Bonded 124gr e Gold Hex, após impacto contra vidro veicular (Imagem/João da Cunha)

Para Cunha, o resultado diante da barreira mais severa demonstra o potencial da munição para emprego policial.

“No ensaio mais difícil de todo o protocolo, o que me demonstra que, de fato, a Bonded de geração 2 tem parâmetros muito bons e é uma munição muito promissora para fins de uso policial”, diz.

Projétil é feito com eletrodeposição de cobre

A principal mudança da Bonded G2 está no processo de fabricação do projétil. Na primeira geração, núcleo e jaqueta eram unidos por um processo térmico: o núcleo de chumbo era colocado dentro da jaqueta e submetido a calor até que houvesse a ligação entre os materiais.

Na nova geração, a equipe de P&D da CBC passou a empregar eletrodeposição de cobre, ou electroplating. O processo parte do núcleo de chumbo pré-moldado, sobre o qual o cobre é depositado por meio de uma solução eletrolítica e corrente elétrica. A camada externa é, portanto, formada diretamente sobre o núcleo.

“Eu ganho com isso uniformidade de desempenho. Eu consigo manter os projéteis mais padronizados, reduzindo o meu desvio entre um projétil e outro”, explica Cunha.

Segundo ele, o método permite controlar melhor características como a espessura da jaqueta e a ligação entre cobre e chumbo. O objetivo é reduzir variações entre projéteis de um mesmo lote e, consequentemente, aumentar a repetibilidade do comportamento terminal.

“Isso vai me dar uma constância de performance. Apesar de ser um processo mais caro do ponto de vista industrial, vale a pena pela questão de uniformidade, de padronização e redução do desvio entre os projéteis”, diz.

390 pontos no protocolo FBI: “O melhor resultado que já vi”

O resultado consolidado apresentado pela CBC também chamou a atenção do delegado.

De acordo com os dados mostrados durante a palestra, a Bonded G2 chegou a 390 pontos em uma escala máxima hipotética de 500 pontos no protocolo utilizado. A geração anterior havia alcançado cerca de 230 pontos.

“Foi o mais alto que eu vi até hoje na minha vida”, afirma Cunha.

O teste da nova Bonded segundo o protocolo do FBI (imagem/João da Cunha)

Cunha também mostrou resultados obtidos ainda durante a fase de prototipagem da G2 nos Estados Unidos. Embora tenha ressaltado que os números não podem ser comparados diretamente aos testes feitos em gelatina orgânica calibrada, o ensaio colocou a Bonded G2 lado a lado com a Speer Gold Dot, uma das principais munições policiais norte-americanas.

Na avaliação apresentada, o desempenho da CBC ficou ligeiramente acima do produto norte-americano naquele teste específico.

CBC também mostra protótipo da munição para 5,56x45mm

A clínica conduzida por pelo policial Doc Maniglia demonstrou a performance da Bonded para o calibre 5,56x45mm

A versão para fuzil, CBC 5,56×45 mm Bonded (77 grains), também foi apresentada no evento, durante clínica de tiro produzida pelo policial Sérgio Fabrício Maniglia, conhecido como Doc Maniglia, médico e policial do Grupo TIGRE da Polícia Civil do Paraná.

A atividade comparou o novo produto com outras munições do mesmo calibre, incluindo JHP, SS109/M855 de 62 grains, SAT de 62 grains e OTM/HPBT de 77 grains.

A avaliação incluiu precisão, resistência da ponta ao manuseio e comportamento após a transposição de para-brisa automotivo. Segundo os dados expostos no evento, a Bonded registrou penetração de aproximadamente 16,2 polegadas em gelatina balística após atravessar o vidro, dentro da faixa de referência de 12 a 18 polegadas indicada no material.

Os resultados da Bonded na gelatina balística, em comparação a outros projéteis do 5,56×45 mm (Imagem/TGT *Inclui edição por IA referentes ao nomes de projéteis registrados nos papéis para melhor visualização)

Outro ensaio apresentado avaliou possíveis alterações de precisão após impactos na ponta exposta do projétil. A dispersão passou de 0,97 para 1,06 MOA, diferença de 0,09 minuto de ângulo que o material classificou como sem perda significativa de precisão. Os resultados se referem às condições específicas dos testes apresentados na conferência.