
Um grupo policial de Maceió realizando operações com um fuzil AR que estampa a marca da famosa fabricante austríaca de armas Glock. O que poderia parecer obra pitoresca de um autêntico e confuso roteirista de cinema, pode se tornar realidade em breve.
A cena, que poderia soar um tanto surrealista, pode estar em vias de acontecer devido a um fato inusitado, num pregão de carabinas da SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado de Alagoas: a participação da fabricante austríaca como potencial fornecedora.
A oferta da Glock foi descoberta pelo IAT (Instrutor de Armamento e Tiro) Paulo Bedran, professor de Armamento e Tiro na ANP (Academia Nacional de Polícia), da Polícia Federal, e confirmada pelo THE GUN TRADE, que localizou os documentos e conversou com pessoas a par do assunto.
Glock disputa pregão com ‘GR-115’
Para surpresa geral, a empresa ‘Glock g.h.m.B. (equivalente alemão a Ltda.)’ entrou na disputa armamentista da SSP alagoense, dando as caras do novo fuzil no pregão de 1.540 fuzis do estado nordestino.
Até hoje, o famigerado rifle sempre era uma espécie de rumor no mercado, com as únicas evidências da nova arma sendo algumas patentes registradas pela Glock no mercado.
O preço unitário pedido pela empresa é de R$ 21,3 mil, ou R$ 32 milhões, pelo pacote inteiro.
Simples, sem pistão, com desmontagem inteligente e em dois tamanhos: o Glock Rifle 115
O fuzil é simples, com injeção direta de gases, mas tem um sistema de montagem fácil, padrão Glock. O cano é martelado a frio. As teclas são todas ambidestras e a desmontagem dispensa ferramentas.
A arma permite que o operador remova, por exemplo, o handguard da arma, de forma independente, não afetando nenhuma regulagem de mira no equipamento. Saiba os detalhes:
- Modelo: Glock Rifle – 115, semiautomática, calibre 5,56x45mm.
- Cano: 11,5” ou 14,5″ em aço CMV martelado a frio, alma cromada, passo de 1:7.
- Peso: até 2,7 kg (desmuniciada, com carregador vazio), 3 kg na versão maior.
- Construção: alumínio 7075-T6 e polímero, padrão MIL-SPEC.
- Sistema: ação direta dos gases (direct impingement).
- Controles: ambidestros (segurança, retém do ferrolho, carregador e alavanca de manejo).
- Plataforma: AR com trilho Picatinny MIL/STD 1913 e guarda-mão M-LOK.
- Coronha: telescópica, ajustável entre 4 e 8 posições, padrão MIL-SPEC, compatível com MAGPUL.
- Segurança: tecla ambidestra que bloqueia o gatilho na posição “safe”.
- Durabilidade: acabamento hardcoat anodized tipo III e peças resistentes a corrosão, intempéries e solventes.
- Miras: alça rebatível regulável sem ferramentas e massa com trítio.
- Carregadores: em polímero de alta resistência, padrão STANAG 4179, capacidade de 30 cartuchos.
- Acessórios inclusos: cinco carregadores, bandoleira tática em nylon Cordura, capa de transporte, case rígido, kit de limpeza e manual em português.
O handguard encaixa com um sistema de pino que não sai da posição. Se o operador precisar removê-lo, consegue fazê-lo sem afetar o resto do conjunto da arma. “É um projeto simples, executado com muita perfeição”, disse uma pessoa a par do assunto ao THE GUN TRADE.
Fuzil é desenvolvido há mais de 10 anos na Glock e já está na 4º geração
O THE GUN TRADE apurou que a arma é desenvolvida há mais de 10 anos na sede da Glock, na Áustria, e já está em sua 4º geração. A arma, jamais demonstrada publicamente pela empresa, já estaria sendo usada por poucas e pequenas forças militares no mundo.
Num documento fornecido pela fabricante ao pregoeiro, a Glock afirma que os fuzis podem ser ‘produzidos e comercializados’ desde 8 de janeiro de 2020.
A arma já foi apresentada a algumas pessoas da indústria de armas, que tiveram de assinar acordos de confidencialidade sobre a arma.
Numa troca de mensagens presentes no pregão, o leiloeiro pergunta sobre onde seriam realizados os testes da arma, o que é respondido pela Glock: “Na fábrica”.
Aos cuidados de Kathrin e Giaffone, o fuzil autoral da Glock
Além do fuzil AR, a Glock também construiu uma plataforma inédita, que é mantida em segredo a sete chaves pela companhia.
O rifle, que conta com um design desenvolvido inteiramente pela fabricante austríaca, se encontra num prédio reservado a novos projetos, onde pouquíssimas pessoas tem acesso.
Resta saber qual será o novo pregão que ele vai disputar no mundo. Ou no Brasil.