
Há pouco mais de um mês, o mercado global de armas e munições parou para prestar atenção num único evento: a IWA Outdoor Classics, maior feira do setor destinada ao público civil na Europa, realizada anualmente em Nuremberg, Alemanha.
O THE GUN TRADE acompanhou o evento, aberto apenas a profissionais da indústria, como fabricantes, distribuidores e atacadistas. O TGT também apresentou uma palestra sobre o mercado civil de armas no Brasil, com dados sobre seu tamanho e detalhes sobre suas permissões e restrições.
Armas, acessórios, itens relacionados à caça marcaram presença no Messezentrum Nuremberg, um grande espaço de convenções da cidade alemã, de propriedade da empresa Nurnberg Messe, organizadora de eventos. É dela o selo da IWA.
O evento conta, inclusive, com apoio do estado alemão.
“Durante décadas, a IWA OutdoorClassics representou profissionalismo, responsabilidade e inovação. Além da caça e do tiro esportivo, temas como segurança civil, resiliência e preparação para crises estão ganhando importância. O setor especializado desempenha um papel fundamental, oferecendo conhecimento técnico, orientação e apoio essencial à sociedade”, diz Joachim Herrmann, patrono da IWA 2026, membro do Parlamento da Baviera e Ministro do Interior do Estado da Baviera para o Esporte e a Integração.
Uma ‘Shot Fair’, vezes cinco
A feira é imensa e é preciso consultar o mapa para não se perder lá dentro. O THE GUN TRADE fala por experiência própria.
O evento foi dividido em cinco grandes áreas, disponíveis no local. Elas ocupavam um ou dois pavilhões. Foram 1.050 expositores.
Fabricantes de armas, acessórios, distribuidores e atacadistas de 49 diferentes países.
Em relação aos visitantes, 25 mil profissionais da indústria compareceram à feira.
Andar pela IWA é como transitar num espaço equivalente a cinco galpões da Shot Fair —maior feira do setor realizada no Brasil, atualmente em São Paulo, no Distrito Anhembi— em uma imensidão de armas, acessórios, roupas e outros itens. Tudo muito bem organizado de acordo com sua categoria. Mas é importante ter um mapa em mãos. A feira fornece um mapa inteligente acessível online.
Dezenas de fabricantes. Turcos se destacam, assim como estande brasileiro
Em relação às armas de fogo, fabricantes do mundo inteiro: Alemanha, EUA, Espanha, Dinamarca, Itália, Suíça, Turquia, República Tcheca, Brasil, entre outros.
Foi possível ter contato com marcas famosas que não tem exposição nas feiras brasileiras, como a Shot Fair e a COP Internacional, voltada ao público policial.
É o caso da italiana Tanfoglio, conhecida no Brasil pelas pistolas de alta performance para competidores de IPSC.


Ou mesmo, com pistolas e fuzis da lendária alemã Heckler & Koch, que na Alemanha tem vendas mais focadas aos clientes institucionais, mas que também tem equipamentos para civis.


A Walther, outra grande companhia alemã, apresentou um dos destaques da feira: um novo fuzil .308 Winchester, em design bullpup e “straight-pull”, onde o ferrolho move-se apenas na horizontal.
Assim como em relação a produtos de outras marcas alemãs, não há previsão de lançamento no Brasil.


A reportagem foi surpreendida pela quantidade de empresas turcas de armas de fogo presentes. Para além das gigantes Canik, Sarsilmaz e Tisas, mais de uma dezena de empresas turcas que produzem armas de fogo.
Há também um vasto espaço destinado a fabricantes de produtos táticos, como roupas, mochilas e acessórios.
No entanto, é proibido vender produtos na feira, e eles estão disponíveis apenas para visualização do público.
Brazilian Firepower: CBC e Taurus marcam presença na IWA, com um dos maiores palcos do local
O Brasil não ficou de fora. E teve uma presença de peso. Isso porque a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), que está completando 100 anos, ocupou um grande espaço no evento, com sua principal empresa, Taurus, apresentando um grande portfólio.
O palco tomado pelas companhias brasileiras foi um dos maiores do evento, de tamanho similar ao da austríaca Glock, muito popular no evento, que contou com a presença de sua CEO, Kathrin Glock, viúva de Gaston Glock.
O estande conjunto das brasileiras foi maior que o da holding Colt/CZ (que a CBC possui 1/3 de participação), da Sig Sauer, e de muitas outras companhias populares.
Além do touro de São Leopoldo, a CBC detém uma grande operação global, sendo líder de outras. É o caso da alemã MEN – Metallwerk Elisenhütte Nassau, fabricante de munições; da SinterFire, companhia americana especializada em munições frangíveis e da Rossi, marca que é de propriedade da gaúcha Taurus e que lá fora tem o nome mais difundido, por fins comerciais.
