Os novos passos da fabricante

Fuzis de Israel, munição antidrone e novo projétil .22: as novidades da CBC

A fabricante de munições de Ribeirão Pires desenvolve um novo portfólio, do .22LR 'maçiço', passando pelo .50 BMG antidrone, às munições de canhões; equipamentos não-letais e fuzis israelenses entram na distribuição

A CBC vai distribuir os fuzis da israelense Emtan no Brasil
A CBC vai distribuir os fuzis da israelense Emtan no Brasil

Uma nova plataforma AR15 deve desembarcar em breve no Brasil. São os fuzis da Emtan Karmiel, empresa fundada na década de 70 em Israel. E quem vai trazê-los é a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), a fim de concorrer nas licitações policiais de fuzis e carabinas ao redor do país.

“Fizemos essa parceria para representá-los no Brasil. É uma empresa muito sólida, que já tem fortes clientes institucionais, como algumas forças de segurança em Israel, os exércitos de Portugal e Espanha, entre outros”, afirma Paulo Ricardo Gomes, diretor comercial da CBC, em entrevista ao THE GUN TRADE.

A conversa ocorreu na COP International 2026, feira destinada ao mercado policial, realizada em São Paulo, nos dias 11 a 13 de agosto. Por lá, a CBC já disponibilizava um documento com as plataformas que pretende oferecer às instituições brasileiras.

As plataformas AR que a CBC vai disponibilizar no mercado institucional brasileiro (reprodução/CBC)

“Vamos trazer plataformas AR em 5,56x45mm, 7,62x51mm, .300 BLK e 9x19mm“, diz Gomes.

Segundo o executivo, a companhia também estuda a viabilização das vendas dessas armas no mercado civil.

Antidrone em 12 Gauge; 5,56mm e .50 BMG

A companhia também está desenvolvendo munições antidrone, tanto em calibre 12 quanto em calibre de fuzil, e também de armas pesadas. Segundo o executivo, a demanda é do DCT (Departamento de Ciência e Tecnologia) do Exército brasileiro.

“Temos a munição em calibre 12 para uma distância de 50m a 60m; o 5,56 para 100m a 150m; e o .50 para atingir drones a 300m, 400m.”

No caso dos cartuchos de fuzil, a ideia consiste em um projétil de polímero que contém esfera metálicas em seu interior. Quando deflagrado, abre-se no ar a determinada distância, conseguindo expandir sua área de atuação.

“Já abatemos drones e agora estamos em fase de homologação, para iniciar a produção”, afirma. A ideia é atender às forças armadas locais, mas também a clientes internacionais.

A CBC deve demonstrar os projéteis no 2ª Conferência Internacional de Balística, a ser realizada no próximo mês. No evento, a empresa convida centenas de autoridades policiais e militares a fim de demonstrar seus produtos.

Um novo projétil em .22 LR: maçiço e preciso, para o manejo de javali

Outro desenvolvimento da companhia, ainda em fase incipiente, é um projétil inédito de .22 LR, voltado ao manejo de javali.

Segundo Paulo Ricardo, a ideia é “de um novo projétil, com desenvolvimento 100% nacional”, a ser lançado no ano que vem”. No momento, diz, a equipe de engenheiros está avaliando qual será o grau de dureza do cobre.

“Uma munição maçiça de alta performance, para precisão e caça”, diz.

A CBC desenvolve um novo projétil .22 LR
O novo projétil .22LR em desenvolvimento pela CBC (TGT)

Distribuição de não-letais da CSI; foco nas GCMs

A CSI (Combined System Incorporated), empresa americana de equipamentos não letais, terá sua linha de produtos expandidas no Brasil.

Granadas não-letais, espargidores (como sprays de pimenta), munição de calibre 12 não-letal, como elastômeros virão dos EUA a Ribeirão Pires, para serem vendidos às guardas civis do país.

A companhia de munições já tem alguns clientes locais, como polícias militares, que recebem os produtos diretamente dos EUA, via representação CBC.

Mas agora a empresa, que já é parceira da CSI, ampliou o escopo de produtos e a forma como irá trazê-los ao Brasil. “Vamos nacionalizá-los, incorporando ao nosso estoque”, diz o executivo.

Mercado militar: Desenvolvimento de munição para o Gripen, Sea Snake e Guepard

No âmbito militar, a CBC assinou memorandos de desenvolvimento para munições de grande calibre, que atenderão as três forças armadas.

Na FAB (Força Aérea Brasileira), a companhia desenvolve o cartucho de 27 x 145 mm para o canhão Mauser BK-27, utilizado nos caças Gripen, que compõe a nova frota de aviação de combate do Brasil. São 1.700 tiros por minuto.

Na Marinha, a munição é para o canhão Sea Snake, das fragatas Tamandaré. São 1.100 tiros por minuto, com um cartucho de 30×173 mm.

E no Exército, o desenvolvimento é da viatura antiaérea Gepard, que conta com dois canhões de 35mm. Segundo Paulo Ricardo, são projetos de longo prazo, de 4 a 5 anos.